O desembargador Macário Júdice, preso pela Polícia Federal (PF) nos desdobramentos do caso do ex-deputado estadual TH Joias, entrou na mira da CPI do Crime Organizado. O senador Magno Malta (PL-ES) protocolou requerimento para que o magistrado do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) seja convocado a depor na condição de investigado.
Macário foi detido em 16 de dezembro de 2025, durante a segunda fase da Operação Unha e Carne. Ele é acusado de ter vazado informações sigilosas ao Comando Vermelho, além de ter alertado o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), sobre um mandado de prisão contra TH, preso em 3 de setembro do mesmo ano.
CPI do Senado busca entender se desembargador tem ligação com o crime organizado
No requerimento, Malta afirma que a conduta do desembargador está ligada a possíveis casos de interferência indevida, repasse de informações sigilosas, contatos com investigados ligados a facções criminosas e tentativas de influenciar processos administrativos sensíveis.
O senador também aponta antecedentes do desembargador, como a suposta participação em fraude de sentenças judiciais, que gerou um processo no STJ em 2005, e a aposentadoria compulsória aplicada pelo TRF-2 em 2015, sob acusação de ligação com a máfia dos caça-níqueis no Espírito Santo.
“A convocação do magistrado, portanto, não se presta à substituição de órgãos de persecução penal ou disciplinar, tampouco implica prejulgamento de sua responsabilidade. A finalidade da oitiva é reunir, de forma direta e transparente, informações que permitam à CPI compreender se há, no conjunto dos fatos já revelados, elementos que apontem para atuação sistemática de agentes estatais em benefício de grupos criminosos”, diz o documento.
As informações são da coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo.

