No encerramento do Setembro Vermelho, mês de conscientização sobre a saúde cardiovascular, médicos alertam para um dado preocupante: o risco de morrer de infarto ou AVC não é igual para todos os brasileiros. Negros, mulheres e pessoas de baixa renda apresentam índices de mortalidade muito mais elevados. A desigualdade social e de gênero, apontam os especialistas, é fator determinante para o adoecimento e a morte precoce.
As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no país e no mundo, responsáveis por cerca de 30% dos óbitos anuais no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Mas, de acordo com o cardiologista Jorge Ferreira, coordenador do Laboratório de Habilidades Médicas e Simulação da Unig, a vulnerabilidade é maior exatamente nos grupos que têm menos acesso a cuidados básicos.
“A renda mais baixa e a baixa escolaridade reduzem o acesso a informações de qualidade, a exames preventivos e, principalmente, a medicamentos indispensáveis para o controle da hipertensão, das arritmias e da insuficiência cardíaca. Isso explica por que os índices de mortalidade cardiovascular são muito maiores nessas populações”, afirma Ferreira.
Hipertensão silenciosa
Um dos pontos de atenção é a hipertensão arterial, considerada a “porta de entrada” para infartos e AVCs. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) atualizou este ano sua diretriz e passou a classificar como “pré-hipertensos” indivíduos com pressão entre 120×80 mmHg e 139×89 mmHg. A meta é ampliar a vigilância precoce e estimular mudanças no estilo de vida que evitem a progressão da doença.
“Um pré-hipertenso responde muito bem a medidas não medicamentosas, como exercícios físicos, boa alimentação e cuidado psicoemocional. Isso tem excelente impacto no controle da pressão arterial”, explica Jorge Júnior.
Políticas públicas necessárias
Para os especialistas, o combate às doenças do coração não pode depender apenas de escolhas individuais, mas precisa vir acompanhado de políticas públicas. Educação alimentar nas escolas, espaços adequados para atividades físicas e campanhas de conscientização permanentes são apontados como medidas fundamentais.
“É essencial que o Estado ofereça condições para que os jovens incorporem hábitos saudáveis desde cedo e os reproduzam em casa com suas famílias”, reforça Ferreira.
Apesar dos avanços tecnológicos, como relógios inteligentes que monitoram arritmias e estetoscópios com inteligência artificial, a maioria da população ainda não tem acesso a esses recursos. Na rede pública, exames de ponta seguem concentrados em grandes centros urbanos.
“A mensagem central continua simples: investimento público em prevenção e promoção de hábitos saudáveis é o remédio mais eficaz contra as doenças do coração”, resume o cardiologista.
Cinco passos para proteger o coração
- Meça sua pressão regularmente: mesmo sem sintomas, a hipertensão pode causar danos graves.
- Desembrulhe menos, descasque mais: prefira frutas, legumes e verduras a alimentos ultraprocessados.
- Mexa-se sempre: pratique ao menos 150 minutos semanais de atividade física moderada.
- Cuide do sono e do estresse: noites mal dormidas e ansiedade elevam o risco de infarto.
- Evite tabaco e excesso de álcool: ambos comprometem seriamente a saúde cardiovascular.
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