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Bebidas adulteradas com metanol: como reconhecer sintomas e evitar riscos fatais – Diário do Rio de Janeiro

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Bebidas adulteradas com metanol: como reconhecer sintomas e evitar riscos fatais – Diário do Rio de Janeiro

Casos recentes de cegueira e mortes no país acendem alerta para consumidores – Foto: Freepick

O consumo de bebidas adulteradas com metanol voltou a preocupar autoridades de saúde em todo o país. Só em setembro, o CIATOX (Centro de Informação e Assistência Toxicológica) de Campinas registrou cinco mortes em São Paulo e dois óbitos em Pernambuco já foram oficialmente associados ao consumo de álcool falsificado.

Com o aumento dos casos, a Prefeitura do Rio de Janeiro publicou, nesta quarta-feira (1º), um decreto do prefeito Eduardo Paes estabelecendo medidas mais rígidas de fiscalização sobre a produção e venda de bebidas no município.

De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier de Campinas, ao ser ingerido o metanol se transforma em ácido fórmico, substância altamente tóxica que reduz a oxigenação das células.

O efeito atinge diretamente o nervo óptico, podendo causar neurite óptica e levar à perda irreversível da visão se não houver tratamento imediato. “Caso a doença não receba o tratamento adequado durante a fase inicial ou aguda causa a perda irrecuperável da visão. Já a intoxicação sistêmica causa sérios danos ao fígado, rim, coração, pâncreas e até alterações na camada externa do cérebro que caracterizam a esclerose múltipla, levando ao óbito”, explica.

Os sintomas da intoxicação geralmente aparecem entre 12 e 24 horas após o consumo, já que o álcool etílico retarda o metabolismo do metanol. Entre os sinais de alerta estão: visão turva, fotofobia (sensibilidade a luz) e dor ao movimentar os olhos, náusea, forte dor de cabeça, dor abdominal, vômitos e alteração da consciência.

“As primeiras 48 horas são cruciais para salvar a visão e a vida”, alerta o especialista. O tratamento pode incluir hemodiálise para eliminar a substância da corrente sanguínea, uso de antídotos específicos como o fomepizol e corticosteroides em casos de inflamação no nervo óptico.

Fiscalização e mercado clandestino

O problema ganha dimensão ainda maior com estimativas de que até 36% do mercado de destilados no Brasil pode conter falsificações. Além de colocar consumidores em risco e a saúde pública, essa realidade ameaça a credibilidade de bares, restaurantes e cafeterias.

Somente em São Paulo, mais de 100 garrafas sem procedência foram apreendidas em operações recentes de fiscalização. A suspeita é de que o mercado paralelo abasteça tanto comerciantes desavisados quanto redes criminosas, oferecendo bebidas adulteradas a preços muito abaixo da média.

Para o chef Rafael Fraga, supervisor de Gastronomia da Prática, empresa referência no setor de foodservice, a segurança deve ser encarada como prioridade absoluta.

Para Rafael Fraga, Chef e Supervisor de Gastronomia da Prática, empresa referência no foodservice, a segurança deve ser prioridade máxima. “Uma garrafa adulterada pode comprometer a saúde do cliente e destruir anos de reputação em um único dia. Mesmo uma bebida aparentemente sofisticada pode estar adulterada se vier de canais informais. A prevenção é simples: verificar, treinar e ser transparente. Isso protege o consumidor e fortalece a marca”, afirma.

Para proteger consumidores e estabelecimentos, Rafael Fraga recomenda práticas que vão da compra segura ao atendimento transparente:

  • Desconfie de preços muito baixos: produtos até 60% mais baratos que o mercado devem acender o alerta;
  • Compre de fornecedores confiáveis: opte por distribuidores e atacadistas reconhecidos;
  • Exija nota fiscal: garante rastreabilidade e comprova legalidade da compra;
  • Cheque embalagem e rótulo: erros de ortografia, lacres violados ou informações ausentes indicam risco;
  • Verifique o selo fiscal (IPI): obrigatório em destilados, deve estar intacto no gargalo da garrafa.
  • Analise o líquido: cor, odor e transparência devem ser uniformes; odores químicos ou partículas são suspeitos;
  • Confira o registro no MAPA: o número deve constar no rótulo e pode ser consultado online;
  • Treine sua equipe: garçons e bartenders devem checar lacres e nunca servir doses de recipientes sem rótulo;
  • Armazene corretamente: bebidas refrigeradas em temperatura adequada e vinhos protegidos da luz excessiva;
  • Seja transparente com o cliente: sirva sempre da garrafa original, à vista, reforçando credibilidade.

Prevenção é a melhor proteção

Especialistas reforçam que a forma mais eficaz de evitar tragédias é checar a procedência e nunca consumir bebidas de origem duvidosa. Pequenos detalhes, como o selo fiscal e o lacre de segurança, podem fazer diferença entre a segurança e um risco grave à saúde.

Com o avanço dos casos, a orientação das autoridades é clara: ao menor sinal de suspeita, procure imediatamente o CIATOX ou um hospital.

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Fonte: diariodorio.com

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