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Depois da “rolha de bosta”, consumidores usam redes sociais para criticar Águas do Rio e denunciar abusos – Diário do Rio de Janeiro

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Na foto, observa-se a famigerada “rolha de bosta” junto com a máquina utilizada para inflar o artefato dentro da rede de esgoto, e bloquear propositalmente o saneamento. Pode-se ver claramente o uniforme do empregado da concessionária, do lado superior esquerdo. / Foto: DIÁRIO DO RIO – Direitos Reservados

A concessionária Águas do Rio, responsável pelos serviços de fornecimento de água e transporte do esgoto em grande parte do estado, voltou a ser alvo de fortes críticas nas redes sociais, principalmente depois da grande controvérsia gerada pelo tamponamento dos esgotos de prédios e condomínios na cidade, conforme denúncias dos leitores do DIÁRIO DO RIO publicadas na matéria de 2 dias atrás. A matéria teve mais de um milhão de visualizações no Instagram do DIÁRIO. Moradores e síndicos de prédios comerciais e residenciais, especialmente no Centro do Rio, denunciaram a prática de entupimento proposital de saídas de esgoto de condomínios inadimplentes, medida que provoca acúmulo de dejetos dentro dos edifícios e traz grave risco de transbordamento para as ruas, afetando também os vizinhos.

Nas mídias sociais, os cariocas manifestaram indignação contra o que consideram tarifas abusivas, má prestação de serviços e práticas ilegais de cobrança. Expressões como “Pior empresa do Brasil”, “Água com areia”, “Mágoas do Rio” e até “Bosta de Empresa” se multiplicaram nos comentários, assim como sugestões que são verdadeiras anedotas: “vou encher baldes de m*rda e atirar na frente da sede desta empresa. Ops, nem loja eles têm pra nos atender direito“, disse outro internauta. Foram 3.458 comentários no Instagram e 708 no Facebook do DIÁRIO, sem contar uma montanha de emails com outras denúncias sobre concessionárias de água: um leitor de Niterói mandou imagens de funcionários da Águas de Niterói que aparentavam concretar seu esgoto sanitário.

Também houve uma inundação de críticas à privatização dos serviços da CEDAE. “Privatização de serviço essencial é crime contra a população. Venderam a concessão e gastaram a grana toda na reeleição do governador. O Rio continua falido”, criticou o leitor Ricardo Villa Verde.

Outros usuários destacaram a precariedade do atendimento e a cobrança considerada irregular. “Acho um roubo cobrar a taxa de esgoto no mesmo valor da água que entra”, disse Antônio Claudio Teixeira. Já Dalva Regina Tonet afirmou que a empresa “está extrapolando, multando condomínios sem provas concretas e cobrando valores absurdos”.

Tarifa mínima, ameaças e má qualidade dos serviços

Um dos principais alvos de reclamação é a aplicação da chamada tarifa mínima, que foi considerada legal pelo STJ. Na prática, ocorre a cobrança não do que é efetivamente consumido e sim de um valor que é calculado por unidade existente em um prédio, de forma totalmente dissociada do consumo real. O resultado, segundo consumidores, são contas que chegam a dezenas de milhares de reais em condomínios com alto número de unidades, mesmo que muitas estejam vazias: esta é a razão do problema se acentuar no Centro da Cidade, que embora passe por momento de grande revitalização, ainda sofre com escritórios vazios. A cobrança do mínimo por economia (economia nada mais é do que uma unidade de um certo tamanho e com certo número de banheiros) acaba aumentando condomínios em até 45%. Há casos de contas de água que aumentaram 1300%, gerando aumento na taxa condomínial superior a 100%, desde que foi adotado este critério.

Na minha rua em Laranjeiras, eles liberam uma quantidade ridícula de água, que não tem pressão para subir até as caixas. São mais de 20 prédios e ficamos sem água todos os dias. E ainda assim a conta chega caríssima”, denunciou a moradora Luciana Barros, mostrando que os prédios residenciais também sofrem.

Para o consultor Eduardo Figueira, a situação se agrava porque a cobrança de esgoto, que por lei deveria ser baseada no volume efetivamente medido de água, está sendo replicada em cima do valor estimado. “Esse é o principal problema, porque gera distorções graves, sobretudo para famílias de baixo consumo”, explicou. Mas o advogado Matheus Miranda de Sá Campelo explica que a concessionária ganhou mesmo o direito de cobrar uma tarifa mínima por unidade: todavia, o valor deste mínimo não foi alvo da decisão, o que significa que basta que o mínimo seja adequado à realidade, para que não seja efetivamente a raiz do problema. Campelo também informa que é ilegal a cobrança de esgoto por tarifa mímima: ou seja, o valor do esgoto cobrado não pode espelhar a cobrança mínima: deve sempre espelhar o valor da água consumida.

Revolta e apelos

Entre os comentários, também não faltaram críticas à privatização do serviço. “Se era ruim, ficou muito pior. Canalização velha, rompendo constantemente. Falta água, mas a conta chega”, afirmou Carlos Arls. Outros apontaram para a necessidade de mobilização popular: “Gente, políticos têm medo do povo. Bora ir pra rua tirar essa Sem-Água do Rio”, escreveu Nilza Duarte.

As postagens refletem o tom de revolta crescente. “A Águas do Rio é a pior empresa do país, provavelmente do mundo”, resumiu Chrystian Oliveira. Também houve uma verdadeira enxurrada de críticas ao Governador Cláudio Castro: foram centenas de mensagens marcando o mandatário e culpando-o pelo imbróglio, em virtude da venda da concessão. Sobrou até pro Prefeito Eduardo Paes, tamanha a revolta dos “comentaristas de rede social”.

Alguns leitores – cerca de 5% dos comentários -lembraram que o certo é pagar as contas em dia, para não passar por constrangimentos.

Segundo informações obtidas pelo jornal, além da Comissão de Direitos Humanos da Alerj e dos ofícios do deputado Cláudio Caiado exigindo punição, também o PROCON estadual estuda uma forma de agir no caso da “rolha de bosta”, apelido que o artefato de plástico preto, inflável, recebeu dos populares.

Em nota ao DIÁRIO, a concessionária disse que o caso de tamponamento relatado seria pontual, de um “cliente cortado” que teria declarado “não estar consumindo água da rede de abastecimento“. A concessionária sustenta que o cliente “não estaria gerando esgoto a menos que estivesse utilizando água de forma irregular“. Afirmou mais que “sempre atua com respaldo no regulamento de serviços e na legislação vigente“.

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Fonte: diariodorio.com

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