ESPERANÇA – Carlo Ancelotti: será ele o salvador da pátria, depois de 24 anos da seleção brasileira sem título mundial? (Ricardo Nogueira/Sports Press/Getty Images)
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Ancelotti assume a Seleção para a Copa 2026 com futuro incerto. Sua permanência depende do título e enfrenta pressão. O técnico se destaca por organizar o time, dar chance a Estêvão e não convocar Neymar, respondendo a críticas xenófobas. Será a redenção?
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Eleição para presidente? Sim, mas o Brasil estará também de olho em 2026 no italiano Carlo Ancelotti, o treinador da canarinho na campanha da Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá. E, então, que a brincadeira feita por ele entre a ótima vitória contra o Senegal, por 2 a 0, em amistoso disputado em novembro, e o melancólico empate em 1 a 1 contra a Tunísia se torne profecia. Instado a dizer se renovaria contrato com a CBF, ele sorriu e disse, em português muito bom, mesclado de palavras em espanhol: “Não temos pressa para fazer, mas se a ideia for seguir, não tem problema. A verdade é que o contrato antes do Mundial é mais barato e depois pode ser muito caro”. Será? O problema de Ancelotti, até que desponte no horizonte o tão esperado hexa — e lá se vão 24 anos sem a taça — é que seu futuro está pendurado em um único jogo, a partir das oitavas da Copa. Se perder, vai à lama, porque pelas bandas de cá só o título interessa.
Em 2025, em sua temporada de estreia pela seleção, Ancelotti teve desempenho razoável. Foram oito jogos, com quatro vitórias, dois empates e duas derrotas. Na ponta do lápis: catorze gols marcados e cinco sofridos — contudo, cinco tentos vieram de um único amistoso, contra a Coreia do Sul, o que distorce a percepção geral dos resultados. Não cabe ilusão, o treinador é celebrado por montar equipes sólidas, firmes na defesa e no meio de campo, mas nem tão agressivas assim no ataque. Deve-se louvá-lo por ter organizado o time e, sobretudo, por dois pontos fundamentais: instalar Estêvão, do Chelsea, como titular; e não ter chamado Neymar nem uma única vez desde que chegou, evitando ceder às pressões pelo renascimento forçado do jogador do Santos, que tem vivido do passado, com lampejos de craque cada vez mais raros. A glória de Ancelotti, se houver, servirá ainda como definitiva resposta à postura xenófoba e ridícula dos treinadores Leão e Oswaldo de Oliveira, que, durante o 2º Fórum de Treinadores de Futebol, questionaram o aumento da presença de técnicos estrangeiros no Brasil. Sorrisos amarelos sucedidos de pedidos de desculpas pelas redes sociais mal apagaram o constrangimento. Que Ancelotti salve a pátria de chuteiras.
Publicado em VEJA de 24 de dezembro de 2025, edição nº 2976