Em um poderoso manifesto, o atleta ucraniano Vladyslav Heraskevych desafiou o COI nos Jogos de Inverno. Ele usou seu capacete para exibir fotos de esportistas ucranianos mortos pela Rússia, reforçando que o esporte não é imune à política e honrando a memória das vítimas da guerra, com o apoio de Zelensky.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Há uma ingênua falácia que cisma em permanecer viva: a de que Olimpíadas e Copas do Mundo seriam imunes a movimentações políticas porque a pureza do esporte não combina com protestos. Nem mesmo os braços erguidos de Tommie Smith e John Carlos em 1968, a favor dos Panteras Negras, ou as esperanças de Adolf Hitler de transformar os Jogos de 1936 em propaganda nazista serviram para comprovar a fragilidade do raciocínio das disputas imunes a gritos. Esta semana, nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina, na Itália, o ucraniano Vladyslav Heraskevych usou, em um dos treinos antes da disputa oficial, seu capacete da prova de skeleton — modalidade de velocidade na qual os competidores se lançam em um trenó e descem a pista a toda — para um severo manifesto. Na proteção (veja no destaque), ele colocou fotos de atletas da Ucrânia mortos por tropas russas durante o período de invasão, desde fevereiro de 2022 — e lá se vão quatro anos de agressão. A Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia documentou pelo menos 14 534 mortes de civis, mais de 38 000 feridos e uma assustadora tendência de alta: as baixas civis aumentaram quase 30% em 2025 em comparação com o ano anterior. O COI barrou a ideia de Heraskevych, embora tenha autorizado o uso de uma braçadeira preta como homenagem. Até o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, se envolveu na história, agradecendo ao atleta, que foi o porta-bandeira do país durante a cerimônia de abertura, “por lembrar o mundo do preço da nossa luta”.
Publicado em VEJA de 13 de fevereiro de 2026, edição nº 2982