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Ucrânia anuncia boicote diplomático aos Jogos Paralímpicos de Inverno Milão-Cortina

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Ucrânia anuncia boicote diplomático aos Jogos Paralímpicos de Inverno Milão-Cortina

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O governo da Ucrânia anunciou oficialmente nesta quarta-feira, 18, um boicote diplomático aos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina, intensificando a crise política que marca o cenário esportivo internacional desde o início da invasão russa em 2022. A medida, confirmada pelo ministro do Esporte, Matvii Bidnyi, determina que nenhuma autoridade ou representante oficial do país comparecerá às cerimônias ou eventos de protocolo na Itália, embora os atletas ucranianos tenham recebido o aval para competir e representar sua bandeira nas pistas e arenas entre os dias 6 e 15 de março. O estopim para esta decisão foi a polêmica decisão do Comitê Paralímpico Internacional (IPC) de permitir que atletas da Rússia e de Belarus participem dos Jogos sob suas cores, bandeiras e hinos nacionais, o que para Kyiv representa uma concessão inaceitável a nações agressoras.

Esta trajetória de tensões começou logo após o início do conflito em 2022, quando russos e bielorrussos foram banidos da maioria das competições globais, mas o cenário sofreu uma reviravolta em setembro de 2025, quando a Assembleia Geral do IPC votou pela restauração total dos direitos de filiação desses países. O presidente do IPC, Andrew Parsons, defendeu a medida como um reflexo da soberania democrática da entidade, baseada em uma votação majoritária de seus membros, argumentando que a organização deve seguir as decisões coletivas independentemente de pressões externas. Para a Ucrânia, no entanto, a decisão é classificada como ultrajante, especialmente diante do contraste com o Comitê Olímpico Internacional (COI), que manteve a exigência de neutralidade absoluta para os mesmos países nos Jogos Olímpicos de Inverno em Milão-Cortina, entre os dia 6 e 22 deste mês de fevereiro.

A decisão ucraniana também reflete o desgaste provocado por episódios recentes de punições a atletas que protestaram contra a guerra, consolidando a percepção de que as entidades esportivas internacionais estão falhando em condenar o uso do esporte como ferramenta de propaganda pelo Kremlin. Nesta edição da Olimpíada de Inverno na Itália, o atleta ucraniano de skeleton Vladyslav Heraskevych foi banido por utilizar nos treinos um capacete como imagens de atletas do seu país mortos no conflito com a Rússia. O ato viola regras do COI que proibem declarações e protestos durante as provas, e o atleta foi impedido de competir caso não trocasse de capacete, condição recusada pelo mesmo.

Com a manutenção da participação de seus atletas nos Jogos Paralímpicos, a Ucrânia busca garantir que seu povo continue representado no pódio, ao mesmo tempo em que isola politicamente o evento nas esferas oficiais. Agora, Kyiv apela para que outras nações ocidentais sigam o exemplo do boicote diplomático, evidenciando uma profunda fratura no movimento paralímpico global, onde bandeiras da Rússia e de Belarus voltarão a ser hasteadas em um grande palco esportivo sob o protesto silencioso das tribunas diplomáticas.

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Fonte: veja.abril.com.br

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