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audiência na Alerj vira palanque pré-eleitoral

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Uma audiência pública da Comissão de Saneamento Ambiental da Assembleia Legislativa (Alerj), ganhou ares de palanque nesta terça-feira (24). Convocada pelo presidente, Jari Oliveira (PSB), a reunião virou palco para ataques a opositores e constrangimento aos convidados, como dirigentes de concessionárias e agências reguladoras.

Segundo Jari, o encontro, por ocasião do Dia Mundial da Água, deveria fazer uma “avaliação dos serviços de água e esgoto”, para a produção de um relatório. Na prática, o líder do colegiado sequer sabia pronunciar o nome do Marco Legal do Saneamento Básico (Lei nº 14.026/2020), fazendo uma mistura com a nomenclatura da própria comissão.

“Tendo em vista o Marco do Saneamento Ambiental (sic) que diz que até 2033 tem que haver 99% de água potável e 90% de tratamento de esgoto, mas vejo como impossível a gente conseguir atingir essa meta”, disse Jari, numa rara intervenção durante a audiência.

Audiência foi marcada por ataques pessoais

Se faltou disposição dos deputados para ouvir as explicações e propostas de quem se dispôs a participar da audiência, sobrou em ataques a opositores. O principal alvo foi o ex-governador Cláudio Castro (PL), idealizador do leilão da concessão de saneamento.

“É inadmissível que a gente privatize esses serviços sem que a gente tenha como prioridade a fiscalização. Ainda bem que esse desgoverno acabou ontém [segunda-feira], às quatro da tarde”, disse Dani Balbi (PCdoB).

Renato Machado (PT) apelou a xingamentos.

“Quando vi esse covarde pedir renúncia, fiquei agradecendo a Deus pro nunca ter sentado á mesa com uma figura tão vagabunda e sem vergonha quanto esse governador do Estado do Rio”, espumou.

O outro lado

Convidadas a participarem do encontro, as concessionárias que venceram o leilão mal foram ouvidas. Águas do Rio, Iguá e Rio+Saneamento, operam no estado desde 2021 — e, até por obrigação contratual, têm investido na modernização dos sistemas de água e esgoto.

Como resultado, informam dados sobre a melhoria na balneabilidade da Baía de Guanabara; do fim do despejo de esgotos na Lagoa Rodrigo de Freitas (sem registros de mortandade de peixes); e até que a Praia de Botafogo já aparece própria para banho em boletins seguidos do Inea.

No ano passado, pela primeira vez todas as praias do Rio de Janeiro e de Niterói ficaram próprias para o banho de forma simultânea.

Coordenado pela Secretaria de Estado da Casa Civil, o projeto vem sendo monitorado pela equipe técnica da pasta. O trabalho aponta que as concessionárias já realizaram reconhecimento e mapeamento dos sistemas, definição dos planos de investimentos básicos para os primeiros 5 anos e elaboração do plano de abastecimento de água e esgotamento sanitário dos municípios.



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