De acordo com a Polícia Federal, um vídeo encontrado no celular do deputado estadual Thiago Rangel (Avante) mostra uma mala com R$ 500 mil em dinheiro vivo que seria parte de um suposto pagamento do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União Brasil) para financiar campanhas de aliados políticos em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.
De acordo com a investigação, o dinheiro faria parte de um suposto acordo de caixa 2 no valor total de R$ 2,9 milhões.
Ainda segundo a PF, Bacellar teria se comprometido com o repasse para ser utilizado na campanha da filha de Thiago Rangel, Thamires Rangel (exonerada por Ricardo Couto no início de maio) e de outros candidatos ligados ao grupo político do deputado nas eleições municipais de 2024.
Segundo os investigadores, o esquema teria sido operado por Rodrigo Bacellar e beneficiaria deputados aliados por meio de direcionamento e superfaturamento em licitações da área da Educação.
Áudios no celular de Rangel indicam caixa 2
A investigação também reúne áudios e mensagens atribuídos a Luís Fernando Passos de Souza, apontado pela PF como operador financeiro de Thiago Rangel.
Em um dos áudios, Luís Fernando menciona diretamente Rodrigo Bacellar ao tratar do suposto acordo de R$ 2,9 milhões.
Segundo a PF, as conversas mostram que o dinheiro seria usado para fortalecer a campanha de vereadores aliados e ampliar a influência política do grupo em Campos.
Fraude em postos de combustíveis
A PF também aponta que Thiago Rangel teria enriquecido por meio de um esquema de fraude em postos de combustíveis dos quais é proprietário.
De acordo com as investigações, os estabelecimentos utilizavam bombas adulteradas para entregar menos combustível do que o volume registrado no visor, prática conhecida como “bomba baixa”.
As planilhas encontradas no celular do deputado mostram que o desconto aplicado variava entre 5,7% e 10,41%.
Na prática, segundo os investigadores, um motorista que pagava por 50 litros de gasolina poderia receber apenas cerca de 45 litros.
As planilhas analisadas pela PF indicam ainda que o grupo chegava a lucrar cerca de R$ 1,6 milhão por mês com a fraude.
Defesas negam repasse ilícito de Bacellar
A defesa de Thiago Rangel reafirmou a inocência do deputado e declarou que ele “nunca teve operador financeiro ou recebeu repasse ilícito de Rodrigo Bacellar ou de quem quer que seja”. Segundo os advogados, as acusações serão desmentidas no processo.
Já a defesa de Rodrigo Bacellar afirmou que “não há a voz ou o nome dele em nada” e declarou que o ex-presidente da Alerj “não é alvo dessa operação e não tem qualquer relação ou conhecimento dos fatos mencionados”.
Com informações do RJ2, da TV Globo.

