Meu tributo a Macaé, minha terra querida!

Maranhense de nascimento, macaense de coração. Sou da terra dos poetas, onde canta o sabiá. Adotei Macaé com pátria e fui acolhida de braços abertos pela “Princesinha do Atlântico” que começara a se chamar “Capital do Petróleo”, cidade que se impõe entre a serra e o mar. Quando aqui cheguei no ano 2000, Macaé já respirava os ares do desenvolvimento, passando da calmaria das redes de pesca para o pulsar do ouro negro, vivendo nessa dualidade constante: o mar que alimenta os pescadores no Mercado de Peixes é o mesmo que sustenta a economia nacional, sob camadas profundas de petróleo e sal.
A história conta que seu povoamento e colonização começaram bem antes, no século XVII, com a chegada dos portugueses em 1627 e a construção da Capela de Santana pelos jesuítas. No entanto, foi apenas em 1813 que a localidade deixou de pertencer a Cabo Frio e Campos para ganhar a emancipação político administrativa.
O Legado de Velho da Silva – Curiosamente, a Vila de São João de Macahé, em 1830 teve um aliado – Velho da Silva, estadista de espírito refinado, que atuou como diplomata e político, exercendo um papel fundamental na transição econômica e urbana da Região, consolidando Macaé como um ponto estratégico do Império. Sua intervenção ocorreu na construção do Canal Macaé Campos, na estrutura e transição do Porto de São João de Macaé, que funcionava na foz do Rio Macaé para Imbetiba, além da construção de trapiches e armazéns permitindo que o açúcar produzido nos engenhos ficasse estocado com segurança até o embarque para a capital…
Hoje, as luzes das plataformas brilham ao longe como estrelas artificiais caídas no oceano, rivalizando com os postes da rodovia Amaral Peixoto e o burburinho dos quiosques e restaurantes misturando ternos, macacões de firmas e roupas de praia. Macaé acolhe a todos sob o mesmo céu quente. No fim das contas, a verdadeira riqueza dessa terra não está apenas no óleo que brota das profundezas, mas, na capacidade quase poética de se reinventar todos os dias entre o asfalto, a serra e o mar.
Da Serra ao Mar – Saindo da história e passeando pela natureza, ancoramos em suas belezas ambientais, pois Macaé não perdeu sua alma de mar; apenas aprendeu a navegar em águas mais profundas. Ela guarda na mão a rede do pescador e, na outra, a chave que acende o amanhã… É preciso banhar nas águas do Pecado, das Pedrinhas e dos Cavaleiros, ornada de luzes e cores… Trilhar o Peito de Pombo e se deliciar no circuito das águas do Sana, nas cachoeiras Sete Quedas, Andorinhas, Segredo; Escorrega e Lage (Bicuda Pequena); Duas Barras (Bicuda Grande) e Cachoeira Arataca, na Serra da Cruz (Trapiche), entre outras.
… Tornou-se obrigatório fazer caminhadas, no Parque Natural Municipal Fazenda Atalaia, em Córrego do Ouro, com suas trilhas ricas em Mata Atlântica; escalar o ponto mais alto do município, o Pico do Frade (1.750m), na Serra dos Crubixais; visitar a Fazenda Airis, nas margens da rodovia RJ-168, para imergir na história e na cultura rural… É preciso conhecer as ruínas do Farolito (Farol Velho), navegar até o Arquipélago de Sant’Ana (Ilhas de Santana e do Francês), um santuário ecológico de águas cristalinas, que dista a 8km da costa de Macaé… É preciso, ainda, visitar o Solar dos Mellos (1891), que guarda, preserva a história de Macaé e sedia o Museu da Cidade com um acervo de fotos, manuscritos e registros audiovisuais, narrando a trajetória da cidade e de memória…
… É preciso viver Onde o mar beija a areia morena, onde o rio se encontra com o mar, onde sol banha a terra serena tu estás Macaé a sonhar… Macaé, minha terra querida, se os anos te fazem crescer, para nós tu és terra onde a vida, fica sempre em constante nascer … É preciso amar a cidade. É preciso amar Macaé!…
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Lourdes Acosta /Jornalista e Escritora
Ocupante da cadeira 37 da Academia Macaense de Letras (AML)
que tem como patrono Amaro Velho da Silva (1780–1845).
Macaé, 29/07/2026.
Fonte: www.rjnewsnoticias.com.br
