A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados realizará, nesta quarta-feira, 17, uma reunião extraordinária para ouvir Eduardo Tagliaferro, confirmado como testemunha no processo que pode levar à cassação da deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP).
Ex-assessor no gabinete do ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal (STF), Tagliaferro passou a figurar como peça-chave depois de levar ao Congresso documentos e alegações que, segundo ele, apontam irregularidades e vícios procedimentais em investigações que tangenciam o caso Zambelli.
Em apresentações anteriores no Parlamento, ele descreveu supostos acessos e manuseio de informações sigilosas e indicou falhas de cadeia de custódia — pontos que a defesa de Zambelli tenta incorporar ao contraditório.
A oitiva de Tagliaferro abre a fase de esclarecimentos técnicos sobre a autenticidade, a origem e a relevância dos documentos que ele apresentou ao Legislativo. Na semana passada, o hacker Walter Delgatti Netto e o assistente técnico da defesa, Michel Spiero, prestaram seus depoimentos como testemunhas da ação contra Zambelli na CCJ.
Presa na Itália, Zambelli participou das audiências. Chamou o hacker Delgatti de “mentiroso” e “mitomaníaco”. A deputada voltou a negar sua relação com a invasão do sistema do CNJ e disse que Delgatti a ligou “como corresponsável” pela expedição de 16 mandados.
“Um de prisão contra Alexandre de Moraes, por mais de 15 de soltura de criminosos do PCC, Comando Vermelho, traficantes de drogas, assassinos e estupradores”, declarou em sessão na semana passada. “E é por causa disso que estou respondendo a dez anos de prisão, porque se fosse só um mandado de prisão de Moraes, estaria respondendo a alguns meses de prisão no máximo. Esses 15 presos disseram em depoimento que nunca me viram na face da terra, e agora você está dizendo que eu nunca mandei prendê-los ou soltá-los.”
Processo na CCJ pode levar à cassação
O caso será analisado pela CCJ, que tem papel central em eventuais processos de perda de mandato parlamentar. Pelo Regimento Interno da Câmara, quando há condenação criminal transitada em julgado, é aberta representação que segue um rito específico:
O deputado é notificado e tem cinco sessões para apresentar defesa e indicar provas;
Caso não o faça, um defensor dativo é designado para assumir a tarefa;
Depois da fase de diligências e instrução probatória, a CCJ elabora parecer sobre a procedência da representação;
Se considerar procedente, a comissão apresenta projeto de resolução pela perda do mandato, que é levado ao plenário.
O parecer da CCJ, uma vez concluído, será publicado no Diário da Câmara dos Deputados e incluído na ordem do dia para votação em plenário. Até lá, a deputada segue tendo direito de defesa, agora também acompanhando o processo de forma virtual.