Lucas Pinheiro Braathen conquista o 1º ouro do Brasil em Jogos Olímpicos de Inverno no slalom gigante. O atleta, de origem norueguesa, trocou de país após conflito sobre direitos de imagem. Sua vitória repercute na Noruega, que lamenta tê-lo “perdido”, e o consagra como um fenômeno midiático e esportivo.
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Neste sábado, 14 de fevereiro, o Brasil conquistou seu primeiro ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno graças ao dotes de Lucas Pinheiro Braathen, estrela de meros 25 anos que domou o slalom gigante em Bormio, na Itália. Para além de alegrar brasileiros, a notícia repercute também no país de nascença do atleta: a Noruega, pela qual jogava ainda em 2022, nos jogos de Pequim. No ar na emissora NRK, por exemplo, o ex-esquiador Kjetil André Aamodt deu o braço a torcer: “É um pouco frustrante que ele não seja atleta norueguês”.
A trajetória até competir pelo Brasil começou em meio a um conflito com a Federação Norueguesa de Esqui, motivado principalmente por divergências relacionadas a direitos de imagem. Em 2023, o atleta anunciou de forma surpreendente que se aposentaria. Meses depois, voltou atrás e decidiu retornar às pistas defendendo o país de sua mãe, onde passou parte da infância após o divórcio dos pais. Ele se naturalizou brasileiro em 2024.
Ao reportar o ouro do jovem, o jornal Aftenposten, sediado em Oslo, fez referência aos contratos publicitários de Braathen, embaixador da grife Moncler. “Braathen é o pavão do esqui. É fácil se deixar deslumbrar por roupas coloridas, trabalhos como modelo e grandes ambições. Mas ninguém deve se enganar. Acima de tudo, ele é um atleta de elite dedicado”, escreveu o comentarista Daniel Roed-Johansen.
Quem é Lucas Pinheiro Braathen?
Grande esperança do país na competição, Lucas chegou aos Jogos após uma temporada consistente no circuito internacional. Atual número 2 do mundo no slalom, ele já havia feito história ao vencer a etapa de Levi, na Finlândia, em novembro passado — a primeira vitória do Brasil em uma prova de Copa do Mundo de esqui alpino.
“Para transmitir minha mensagem e expressar meu verdadeiro propósito, eu precisava de liberdade. Agora eu sinto que a tenho, em cada competição. Tenho essa liberdade que me permite ter um desempenho melhor, com o orgulho e a alegria que este esporte me traz”, afirmou Lucas em entrevista coletiva no início dos Jogos.
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Desde então, consolidou-se como um dos nomes mais competitivos do circuito. Em duas temporadas representando o Brasil, acumulou dez medalhas em etapas de Copa do Mundo no slalom e no slalom gigante, resultados que ampliaram as expectativas em torno de sua participação olímpica.
Além do desempenho esportivo, Lucas se transformou em fenômeno midiático no esqui alpino. Conhecido pelo carisma e pela postura de “showman”, é presença frequente em eventos e ações promocionais. Lançou uma linha própria de produtos de cuidados faciais e tornou-se rosto de marcas de luxo. A Moncler, em particular, o vestiu na cerimônia de abertura dos Jogos, quando foi porta-bandeira do Brasil.
A participação de Lucas nos Jogos ainda inclui a disputa do slalom, também em Bormio, prova que encerra sua programação individual na Olimpíada e mantém o Brasil sob os holofotes do esqui alpino internacional.